Banda UUD
Breve ensaio sobre o ser e o querer - I


O ser humano é realmente estranho. Julga viver o ápice, a plenitude de sua liberdade de pensar e agir e crê piamente enxergar tanto quanto seus olhos (e suas mentes) Alcançam. No entanto, na prática, as coisas são tão diferentes!

 

Se, de alguma forma, pudessem utilizar a sua pequenina visão para olhar dentro de si próprios – e de seus sentimentos -, se pudessem visualizar, com mais calma e tranqüilidade, o que realmente desejam – e mais, do que realmente PRECISAM – teriam, sem sombra de dúvida, uma nova interpretação sobre seus próprios passos. Tanto os já caminhados como os que estão por vir.

 

O dia é feito de minutos que, por sua vez, divididos, cada um, em sessenta partes, tornam-nos passíveis 88.400 escolhas – atitudes e pensamentos – entre cada nascer do sol.

 

Se julgarmos sermos 10% perfeitos – há os que se imaginam 100% - teremos 87.616 escolhas – atitudes ou pensamentos – errôneos.

 

O que nos leva a concluir ser possível que estejamos errados em acreditar piamente que somos livres ou, pior, que sabemos o que queremos.

 

Se, em qualquer segundo destes, dermo-nos conta disso, temos ainda tempo de reconsiderar nossos valores. Afinal, o sol sempre nasce de novo...

 

Vivendo numa roda-viva de impulsos, sugestionados pelo meio, bombardeados de opiniões de nossos convivas – eles próprios sem suas certezas – realmente, é complicado formar uma opinião sobre o que quer que seja. E, mais: fica praticamente impossível discernir onde tal idéia – ou pensamento – começou – e quem é seu dono.

 

Seguindo esta linha de raciocínio, é plausível que, em determinado momento, eu venha a descobrir que meus ideais - ou valores (questão puramente semântica) – não são exatamente meus.

 

Quando se chega a esse ponto, faz-se necessário, no mínimo, uma interrupção brusca, seguida de uma vontade perene de querer chegar-se a alguma conclusão. Vontade perene porque é muito fácil ser levado pelo redemoinho de interesses que nos avassala.

 

E os momentos – esparsos – em que paramos para refletir, devem ser levados à exaustão de nossas forças neuronais. Chega-se, então, após racionalizar a maioria dos fatos, em caminho inverso ao seu curso natural, a uma questão simples e, ao mesmo tempo, enigmática e profunda: quem sou eu?

 

Esse questionamento traz, abraçado a si, outros tantos, como: o que eu quero? Do que gosto? O que sinto pelos que me cercam? Como ajo em relação a eles? Minha conduta é correta? Quais são meus valores?

 

Enfim... uma infinidade de questões que o ser mais racional e dotado de inteligência ímpar, não poderá responder definitivamente sendo fiel a si mesmo.

 

Até porque, questões assim não denotam inteligência. Necessitam que se vá ao âmago da simplicidade, bem no fundo do abismo negro que nos acostumamos a esquecer da existência, depois de adultos: o peito.

 

Durante nossa etapa como adultos aprendemos inúmeras palavras novas. Algumas de difícil pronúncia, outras que são usadas erroneamente. Como “amor”. Porque amor não é uma palavra. É um sentimento. Palavras estão nos dicionários, sentimentos não...

A facilidade com que resolvermos algumas questões – ou dificuldade – é meramente funcional. Sentimentos diferem, pois não são funcionais. Estão arraigados a questões educacionais e comportamentais – e às pressões externas – que são trazidas por gerações.

 

Breve ensaio sobre o ser e o querer - II

 

Há um momento na vida em que é preciso separar o que era sentido em outras gerações do que se sente hoje. E isso nem sempre é fácil, pois, com o tempo, a verdade dos outros passa a ser a sua. Sentimentos enraizados...

 

Com o passar dos anos o ser humano, obrigado pelo convívio em sociedade, começa a criar barreiras de defesa, em forma de máscaras, que garantem que as dores e as decepções em relação às atitudes de outrem se tornem mais amenas.

 

Estas máscaras incluem, dentre outras coisas, fingimento, cinismo, falsidade. Encobrindo, de fato, os verdadeiros sentimentos.

 

Por ser necessária essa convivência – e por existirem tantos interesses divergentes – tais máscaras tornam-se ferramenta indispensável durante toda a vida do ser humano. Quem quer que consiga, em meio à jornada, livrar-se delas, sente-se, em parte feliz consigo mesmo.

 

Porém, sempre manterá a convicção de que os outros – que convivem consigo – continuam mantendo as suas, fazendo interpretações e julgamentos maldosos, incapazes de fazer uma auto-análise profunda em seus espelhos d´alma.

 

Outra conclusão lógica é que ninguém pode ser transformado. Não é possível mudar uma pessoa em suas atitudes, menos ainda em seus dogmas e pensamentos. Partindo-se do princípio básico de que é antes necessário compreendermos a fundo o “eu” para, então, não julgar – e sim, auxiliar -, a que o próximo tenha o interesse de, ele próprio, compreender-se.

 

A única forma de retirarem-se as máscaras é uma compreensão íntima de cada um – a si mesmo. E, quando se descobre não fazer parte de tal universo – pois já se jogou fora as máscaras particulares – é perfeitamente compreensível que esta pessoa saia deste círculo vicioso, procurando, enfim, o meio de convivência – necessária – que lhe seja de acordo, onde a relação interpessoal seja clara, verdadeira e límpida. Mesmo que esta mudança não faça o menor sentido para ninguém do “círculo de interesse das máscaras”.

 

Fica no ar a pergunta se realmente existirá tal lugar – ou tais pessoas – onde haja esse convívio aberto. Quando, gradativamente, as pessoas fizerem esta parada obrigatória em suas vidas, descobrirem o que sentem e o que querem, então, começará a tornar-se factível tal empreitada.

 

Mas o desânimo não pode imperar por não haver, ainda, uma maioria convicta de seus objetivos. Bem ao contrário, o sentimento de estar bem consigo mesmo, será fortíssimo propulsor em direção a este “novo universo”.

 

Os grandes inimigos de todo este processo são os momentos cotidianos que passam despercebidos, enquanto a vida segue seu rumo e vai levando consigo multidões, arrastadas pelos ventos insanos do destino.

 

Como ninguém tem domínio de seus próprios passos – justamente por vivermos desta forma – a vida vai traçando, lentamente, nossas rotas, por vezes estapafúrdias e desconexas.

 

Nesse ínterim, vamos todos, numa nau sem comando, preocupando-nos com resultados, horários e compromissos. Por essa razão, deixamos que pequenas – e importantes (ou fundamentais) – detalhes, que flutuam – como plumas – a cada novo dia, como a nos dar mais uma oportunidade de percebê-las. No entanto, não damos a menor impressão de querer tocá-las.

 

As informações chegam cada vez mais rápidas, num redemoinho de interesses e cinismo e vamos as acolhendo, jogando todos os sentimentos aliados a elas, dentro de nós.

 

O fato é que, todos, sem exceção, em algum momento da vida, perceberão que precisam rever seus conceitos e, por fim, aceitarão a realidade. Para, só então, conseguirem responder às questões que realmente importam...

Frases feitas I


Da série Frases que eu gostaria que fossem minhas:

"Parece cocaína, mas é só tristeza..."
Renato Russo

David e Golias


Perseguições sem fim
e ainda sem saber.
Procurando o melhor de mim,
pra ser páreo pra você.

A culpa é toda minha


A culpa é toda minha.
Eu errei,
e imaginei
as flores.

A culpa é minha.
Eu perdi o rumo
e suguei o sumo.
Criei dores.

A culpa é toda minha.

"Não tinha medo, o tal João de Santo Cristo..."


 

A love no one can take

If I could live forever
If I could be the same
If I knew all the secrets
I'm still being a stranger

If I change all the past
If I pray all the nights
If I learn with you

I don't want more fights
Change my world
just for today

and I will never be the same
If I get over all the troubles
If I live just for today

If I cry on a lonely night
It's a love no one can take

Eu não sou daqui


O sol se pôs,
fiquei aqui a esperar.
Não penso mais,
tudo que eu quero
é encontrar.

Não há razão
pra tanta dor e solidão.
Não há inferno,
nunca vai haver perdão.

Não sou daqui,
quero só me esquecer.
Nas minhas veias
não tem mágoa pra correr.

Eu fecho os olhos
e a noite vai passar.
ainda tem mais um espelho
pra quebrar...

Eu não sou daqui!

Me libertar


Nos escombros sobrevive uma nação.
Quem vê de perto não enxerga a ilusão

que já chegou!

O que parece ter sentido é confusão,
o que parece uma morte é oração

que não vingou!

E tanto faz se o inverno é aqui,
é tudo sempre um motivo pra fugir

desse lugar

O que é pó não vai curar a solidão,
Nenhuma voz irá calar meu coração:

Quero enxergar!

Um novo jeito de se ver tudo acabar,
um outro fim pra quem tomar o seu lugar.

Me libertar!
Me libertar!

Comum...


Se cria e anda,
já sabe o caminho.
Conhece a ciranda
de ser sozinho.

Se pensa em tudo,
já viveu sem pensar.
Hoje, seu mundo,
é só de esperar.

Mas não tem dúvidas,
sabe o que quer.
Sabe ser inteira,
sabe ser mulher.

Uma questão de lógica...
Se alguém não tem medo da morte,
como pode, então, ter medo da vida?
A gente se vê...


O verde escuro que eu vejo quando fecho os olhos,
tem a cor da tristeza que eu carrego comigo.
É um musgo que eu criei por ficar parado,
estacionado, sempre no mesmo lugar.

O céu cinza e pesado como chumbo,
eu trago nas costas desde que você se foi.
E vou tropeçando nas pedras brancas do caminho,
tentando, aos poucos, não estar sozinho...

O arco-íris que você me prometeu,
veio em preto e branco, carregado de ilusão.
Veio sujo e pobre como meu passado,
veio triste e frio como meu coração.

Desculpa te falar assim,
todas as coisas que saem de dentro de mim.
Mas nem sempre eu consigo segurar

o que sai em rajadas negras
e se mistura no ar.

Meu bem, agora tenho que ir!
A gente se vê por aí...

Pra quem?


A luz do sol não aquece a alma!
E os braços, dormentes, já não sentem
os pequenos rios de sangue correrem.

Num pequeno frasco confuso,
transitam idéias apócrifas,
tão inócuas como um beijo na chuva.

Eu ainda não sei,
mas pode ser aqui o meu lugar.

Papel na garrafa


As paredes que me prendem
nesse universo tão pequeno,
inúteis, não sentem
o meu desespero...

Preciso sair por aí,
ver o mundo lá fora,
sem as tábuas na janela,
sem a dor de agora.

Sozinho no mundo
com tanta gente em volta.
Cego, num segundo
eu grito teu nome.

Mas não sei onde estás.
Não sei quem eu sou.
Não conheço o lugar.

Acho que ando muito preso
dentro de mim...

Linha do tempo


Me dê uma venda e finjo que não vejo;
arranque meu coração e faço que não sinto;
cubra minha boca que não digo nada:
só um comprimido e um pouco de absinto.

Fale por mim que eu concordo.
É tudo repulsa e fingimento:
salões de festa e vestidos,
maquiagem e sofrimento.

Mas é só febre interna:
- ninguém vai notar!
A falsidade é virtude,
e a boutique o altar.

Amanheceu: é hora de ir pra casa!
O chuveiro livra dos pecados.
A sorte foi lançada:
outra noite terá outros dados...

Voa comigo!


Melhor não entender,
e deixar tudo passar.
Às vezes é assim:
cada um no seu lugar.

Meu amigo, já te disse:
- O passado é ilusão!
Deixa isso, assim, de lado,
segue na nova canção.

Então...
Vem comigo viajar
nessa estrela cadente.
Voa comigo,
e tenho certeza que você entende.

Se algo te prende,
se solta pra ser mais feliz!
Quem pode faz.
É dono do nariz.

 

Vida!


A penumbra da noite contrastava com um céu arrebatador de estrelas em alto relevo.
A olho nu, ele pode observar, claramente, alguns astros que que intercalavam intermitentemente entre duas tonalidades de luz.
À sua volta – após sentar-se em um tronco caído e seco de árvore – pode vislumbrar o que lhe parecia um incontável número de estrelas.

Era uma noite fria de agosto, a fogueira acesa à suas costas lhe dava uma aconchegante sensação de prazer.
Percebeu, instantaneamente, que aquele momento precedia algo especial que estava por acontecer. Levantou, foi até a barraca e apanhou uma garrafa de vinho tinto.

Ritualisticamente retirou a rolha da garrafa, preencheu dois terços de uma taça e a ergueu, reverente àquela imensidão de diamantes de Deus.
Voltou. Passos precisos desviando dos gravetos. Novamente aconchegou-se à beira da fogueira. Ao sorver o primeiro gole do sangue de cristo sentiu-se, de alguma forma, ligado por um fino cordão imaginário que – também percebera no mesmo instante – de nada adiantaria tentar compreender.

Um turbilhão de sentimentos invadiu-o, como um jarro de barro tentando engolir a luz do sol.
Viu, então, há o que seria uns três metros de altura, ligado pelo cordão imaginário, a duas extremidades: o céu, acima da sua cabeça, e ao seu "outro eu", sentado à beira do fogo.

Num átimo de segundo, tempo suficiente para perceber o que vira, submergiu, a uma velocidade estonteante, para dentro de si mesmo, como se fora uma golfada de vômito.

Olhou o relógio, finos ponteiros marcavam uma e quinze. No Serro das Almas. Olhou para o copo – que já esquecera estar ali – que lhe retribuiu com um leve ponto de luz em meio ao escuro líquido, e refletido, tornou-se um minúsculo prisma.

Num gole que lhe pareceu mais seco do que o necessário, pode ouvir o farfalhar dos galhos a sua direita.

Lentos passos o levaram ao ponto mais alto do Serro das Almas, de onde via todas as luzes de Pelotas. Pode ver-se dentro de todas as pequeninas casas lá embaixo. Pequenas marionetes cansadas do trabalho, com corpos franzinos, deitados em suas camas estreitas, bafejando café e contorcendo-se em bizarros sonhos que misturavam Homero e a conta do telefone vencida.

Filhotes das marionetes, em posição fetal, adormecidos semi-cobertos.

Tão grande era a quantidade de emanações, de vibrações distintas e multicoloridas que traçavam, de cada casinha de Banco Imobiliário em direção ao alto que, por um momento, ele compreendeu: cada um de nós é uma ínfima parte de um todo complexo e absurdamente luminoso.

Cada um emana sua própria tonalidade, de acordo com a vida que leva. Finos e imensos fios em direção àquele gigantesco gerador acima das estrelas.

Ah, se todos soubessem! Aquele arco-íris celestial não teria uma das extremidades escura.

Ficando mais atento aos barbantes de pandorga, percebeu que as cores não eram fixas, pulsavam como um coração bombeando sangue e, às vezes, escureciam. Em outros fios, clareavam. Alguns eram opacos, pouco visíveis, outros cintilavam com uma luz capaz de cegar.

Muita informação em pouco tempo. Virou as costas, terminou o vinho da taça, aqueceu as mãos na fogueira. Entrou na barraca, puxou o zíper até o final, recostou a cabeça sobre os braços e resumiu todo o inacreditável acontecimento em uma palavra: vida!

O meu lugar


Eu ando sozinho pelas ruas.
Que não me pertencem,
não me entendem,
nem sabe quem eu sou...

E tanto faz o sentido:
às vezes, eu vou indo,
e você já voltou.

O sol parece o mesmo,
E eu sigo, a esmo,
procurando um lugar.

Que eu não sei se existe mas,
mesmo qus triste,
já andei por lá!

Quero só voltar,
e te beijar a tarde inteira.
E falar besteiras,
Sem relógio pra me perturbar.

Eu quero a noite da minha rua,
A boca mais bonita, que é tua!
E quero me encontrar.

E se não sei onde estou,
sei onde quero ficar.
Quero olhar para o lado e te ver.
Do teu lado é o meu lugar!

Minha terra!


O frio que hoje faz aqui,
tem um quê de saudosismo.
Tem fazenda e violão,
tem churrasco e tem galpão.

Por um momento, até me esqueço de onde estou,
e então reflito, de que na verdade pertenço
a um pago diferente.

Lá, onde o minuano balança as árvores
e assobia uma vaneira.
Onde o piá brinca, solito,
na beirada da porteira.

Mas o tempo é diferente,
e hoje um papel colorido.
Manda mais em toda gente,
fazendo alvoroço e alarido.

Segue em frente o mundo...
E mudo, dou outra pitada,
lembrando da minha terra
minha mente voa, calada.

Se eu te digo: "apeia índio velho
desse mundo corrido e louco.
Vem s’imbora pra estância,
onde se vive com tão pouco"!

Não minto,
porque aqui mesmo me sento,
nessa terra onde vale a amizade,
o carinho e o sentimento.

Sobre a vida


Nada é coincidência:
o que se vive, experiência;
o que se aprende, conseqüência;
o que se perde, reticência. 

Na saudade, paciência;
nos domingos, inocência.
Caem as pétalas,
mas sobrevive a flor;

vão-se os segredos,
vai-se a dor.
No passado, uma angústia,
No futuro, só amor...

Nosso amor


Nosso amor é assim mesmo:
uma vírgula perdida em um texto.
Um hífen atravessado na garganta.
Aniversariante de ano bissexto.

Nossos sentimentos são metáforas,
onomatopéias de sofrimento.
Figuras de uma linguagem
há muito esquecida.

Enquanto me perco entre teus colchetes
e entre aspas sussurro que te amo,
num contexto conflitante,
são as reticências que me agoniam.

Nosso amor é assim mesmo:
um texto picotado por sinais,
onde, se hoje te tenho,
amanhã, não mais.

E, assim vamos seguindo:
sobre nós, gigantesco ponto de interrogação.
Reféns de rimas fracas,
como paixão e solidão…

Veja só!

Leonardo da Vinci costumava dizer que existem três tipos de pessoas:
- aquela que vê;
- aquela que vê quando alguém lhe mostra;
- aquela que não vê, nunca, mesmo com alguém lhe mostrando.

A revista Veja desta semana (edição 2.028) traz como sua matéria principal “Che, a Farsa do Herói”. Subtítulo: “Verdades inconvenientes sobre o mito do guerrilheiro altruísta, quarenta anos depois de sua morte”.

Não pretendo ir muito fundo em uma análise sobre essa matéria, porque seria dar status demais a algo que não merece...  mas, resumidamente, é o seguinte: A Veja usa oito de suas páginas (entre as mais caras do país) – mais a capa – para acabar com a “farsa” Che Guevara.

Eu sei que disse que não daria ênfase à matéria... mas como, “para bom entendedor meia palavra basta”, vou citar aqui somente a última frase do texto. Por si só, esta frase já facilita aos incautos possíveis leitores compreender qual o objetivo da revista semanal:

“O mito em torno de Che constitui-se numa muralha que impediu até agora a correta observação de alguns dos mais desastrosos eventos da história contemporânea das Américas. Está passando da hora de essa muralha cair”.

Minha primeira pergunta é: de quem é esta opinião? Quem disse isso? Baseado em quê? Teriam os jornalistas responsáveis pelo texto (ou a própria revista) recebido algum tipo de “cajado da justiça”, que os dá o poder de donos da verdade?

Não me surpreende que tal periódico faça este tipo de matéria. Afinal, é assim que sustenta seu sucesso há tanto tempo.

E, a bem da verdade, também sustenta os inúmeros processos que é obrigada pela Justiça a pagar àqueles que são alvo de suas mentiras e bobagens...

O que me preocupa, é que este é citado como um dos mais sérios e respeitados órgãos de imprensa do país.

Na matéria citada, a revista não faz uma reportagem: destila veneno em frases raivosas (possivelmente depois lapidadas por um editor – senão seria pior) e toma posição de dona da verdade. Lamentável...

Triste mesmo...

Alguns lembretes interessantes que eu gostaria de questionar:

- No mesmo final de semana, estava fazendo aniversário de um ano o acidente da Gol. Já foi tudo resolvido? Não! É um assunto pra Veja? Não! É fútil demais...

- Bilhões de reais de dinheiro público são desviados a cada dia. Não seria mais lógico tentar achar os responsáveis por isso? Não! Fútil demais...

- SP está um caos. O trânsito é um lixo. Os (ir)responsáveis não fazem nada para solucionar. Os túneis de metrô novos têm quase um metro de diferença no local onde deveriam se encontrar... Fúuuutil!

- A arrecadação de impostos em SP aumenta cada vez mais... agora a polícia militar está multando junto com os agentes da CET. Os túneis ficaram quase dois meses no escuro porque a fiação foi roubada. O que foi feito a respeito? Nada! (Fútil, fútil, fútil!)

Eu teria centenas de tópicos para lembrar à revista. Seriam boas pautas. Mas vou ficar nestes só...

Mas, pergunto: porque Che, depois de 40 anos de sua morte, na capa, sendo esculachado?

Se for para seguir esta linha (de vasculhar o passado de algumas pessoas e “mudar a história”) tenho algumas sugestões para as próximas capas da revista:

- Carlos Lacerda
- Antônio Carlos Magalhães
- Todos que assinaram o A.I. 5
- Todo o dinheiro e outras “cositas” enviadas pelos Iúéssêi pra cá, que ajudou a torturar e matar tanta gente...
- Manchete da ONU: Brasil terá dois milhões de favelados até 2010.

E por aí vai...

Será mesmo, que uma revista que tem tanta repercussão, uma das mais sérias e respeitadas publicações do país não tinha, realmente, nenhum outro assunto sério e mais importante para tratar?

Porque, se não tiver, vou me lamentar ainda mais um pouco, sobre como a imprensa no Brasil anda fraca...

... ao menos as revistas de fofocas tratam de temas atuais. Parabéns aos seus editores!

O tempo não volta atrás...


Melancólicos são os dias que passo,
em uma busca constante
por um resgate distante,
que me deixa em sádico cansaço.

Ainda longínqua é a hora
de compreender as razões,
tais sentimentos e emoções
que me fazem não ver lá fora.

E nessa estrada escura,
minha alma procura
um pouco de paz...

Responsável por tudo,
sigo em frente, mudo,
ciente que o tempo não volta atrás...

Eu!

A chuva veio forte, inundou tudo e me molhou. Fiquei pesado para caminhar. O barro tomou conta do chão e os pés pesavam chumbo.

Galhos pesados caíram sobre minhas costas, um após o outro. Machucou tanto que demorei a me recuperar. Foram várias cicatrizes.

 Também atiraram em mim! Todas as balas passaram muito perto: não me faltam marcas pelo corpo.

Enfrentei alguns maiores que eu. E, quando achava que tinha escapado e estava seguro, sempre vinha outro. E mais outro. E nem sempre vinham sozinhos...

Tive momentos bons, a caça era boa e a comida abundante. Mas, volta e meia, um raio retumbava próximo a mim, fazendo muitos dos amigos que estavam por perto, fugirem. Mas eu não! Eu seguia. Sempre...

Um dia, depois de tanto tempo usando ao máximo meu instinto de sobrevivência, acreditei que era merecedor de, ao menos, um período de descanso. Ledo engano... Anoiteceu pra mim:
a chuva virou enchente, o barro transformou-se em mar, os galhos caíam, mas junto com as árvores inteiras.

Os tiros começaram a me acertar, um após o outro. E tudo isso aconteceu quando a floresta começou a arder em chamas. Tão fortes que a tormenta dos céus não conseguia nem ao menos amenizar as línguas de fogo.

Não havia mais nada nem ninguém. Todos fugiram ou se entregaram.

Confesso que minha primeira reação era de correr também.

Mas levantei!

Pois, era óbvio que ainda havia caça. Havia árvores, flores, céu azul e caça à vontade. Mas não ali. E naquele lugar não voltaria a haver tão cedo.

Olhei para os lados e fui andando, um passo de cada vez, lentamente por causa dos ferimentos, mas andei.

As dores iriam passar, eu sabia.

E, se hoje estou aqui para contar essa história, é por um só motivo:

EU SOU UM LEÃO!

Dívidas


Devo:
favores, algum dinheiro e compreensão;
carinho e esperança;
senso prático e gratidão.

Devo:
o brilho o sol,
as manhãs de fantasia;
um olhar - um sorriso...

Devo ainda
o passeio no campo,
cumprir promessas de ano novo
e me desfazer dessa angústia.

Mas eles me devem
minha inocência
que levaram,
e deixaram no lugar
só esse sorriso estranho
que eu trago num canto da boca...

Você


Olha em volta:
as paredes te sufocam;
o teto gira enquanto
o rádio toca.

Esse ar pesado e a sensação
de desejos destroçados.
Essa imagem no espelho te confunde...
olhos secos apesar das lágrimas,

e uma foto na parede
a lembrar que você viveu.

A janela fechada
pra uma mente sem fronteiras.
Um corpo cansado
e uma alma cheia de barreiras.

O telefone não toca
e a gilete se aproxima dos pulsos:
cacos de vida
de uma vida sem rumo

Todos procura uma solução:
às vezes elas vêm, às vezes não...

E amanhã terá outra história pra contar...

O louco


O vidro é tão difícil de engolir,
Vou continuar mastigando...
É sempre triste a hora de partir,
quero continuar chegando.

Poucas palavras podem definir
o que se sente no fundo,
quando se sente ruir,
em uma só vez o seu mundo.

Espero que um dia
tudo volte ao seu lugar.
E que uma velha melodia
volte a me tocar.

Como o louco das cartas,
vou seguindo sem saber,
Se o macio ou as farpas
que me fazem adormecer.
Pra você...


Já dormi na varanda vendo as estrelas,
já tentei pegar a lua,
já jurei a mim mesmo que tinha a certeza,
Quando na verdade, a certeza era tua.

Já coloquei todas as cartas na mesa,
mas eu não sabia ler tarot,
Já sorri por um dia inteiro,
mas uma hora, o dia acabou.

Já tentei viver sem ti,
Já sofri estando junto,
Ainda adoro te ver sorrir,
Porque isso devolve o meu mundo.

Já fiz planos e desisti,
Não sei mais o que fazer,
Já cheguei e já parti,
porque preciso de você...

 

Mais uma...

Errei
quando pensei que podia.
Pensei
ser possível modificar o dia.

Mudei
um pensamento antigo.
Gostei
de fazer sentido.

Senti
medo de errar.
Sofri
na hora de calar.

Preciso, de novo,
encontrar um caminho...

Caminhos


Vai andando,
tropeçando
no caminho.

Vai pensando,
chorando
e sozinho.

Vai rezando,
esperando
um sentido.

Vai olhando
e procurando
um ombro amigo.

Vai chover
e apagar
seus passos,

Vai morrer
e desfazer
os laços.

Uma (quase) música

 

Hoje comecei uma nova música,
mas parei.
Eu queria falar do que eu sinto,
mas não sei.

Queria usar as palavras certas,
mas não as conheço.
Usar, também, tons menores,
mas esqueço

que quando se está perdido,
todos os caminhos são errados.
E que se sofre mesmo quando o amor
o cerca por todos os lados.

Então eu desisti!
Quem sabe amanhã?

Silêncio

Se eu ficar em silêncio...
será que você me escuta?

Perguntas


Quem te faz chorar?
Quem te diz o que fazer?
O que te toca a alma?
O que te faz ficar?

A quem pedes perdão?
Quem te faz sorrir?
Quem te diz sim ou não
além de ti, na hora de partir?

Quem caminha pelas ruas
sem rumo, só solidão?
Quem vai, quem fica
nesse jogo de ilusão?

Quem vai lembrar de nós?
Só os outros são felizes?
Que esperar de estar só?
Quem vai ver as cicatrizes?

Se olhos olhos se fecham
mas o sono não vem...
Se a busca é constante
na espera de alguém:
é hora, agora, de encontrar seu lugar.

Saber a hora de dizer ou calar;
a diferença entre viver ou sonhar;
a hora exata de partir ou ficar...

A sola do pé

É sangue ou catchup?
Moleque em disparada...
A noite enfeitiça,
polícia castiga,
ninguém vê nada!

Batida na avenida,
camburão comendo solto,
engolindo os marginais.

Vingando a inveja,
espumando terror.

Corre, moleque,
bate com a sola do pé

Depois me conta,
se sobrar um futuro.

Quantas noites foram assim?

 

Amor da Madrugada

Um amor da madrugada
que não tem nome
nem família...

Sem futuro:
só passado.

... a mesa do bar...
um segredo a compartilhar

uma noite, uma garrafa.
Troca a vida por um
motivo pra sorrir.

Rimas imperfeitas|
no papel do bar.
Noites incompletas:
mais um motivo pra chorar...

Pois o amor da madrugada
sempre estará
esperando por alguém...

Preciso ver o amanhecer

Não me venha
com tapinhas nas costas
e esses discursos decorados.

Não me olhe de lado,
nem me negue um beijo.
Não seja pânico,
nem desejo.

Preciso ver
o amanhecer...

Não seja mais mistério,
Tampouco coerente.

Conte, desaponte,
fuja da corrente.

Mas não me negue
nenhum beijo
essa noite.

Preciso ver
o amanhecer...

Dia Normal

Vamos começar pelo início
e jogar pela janela
os preconceitos
e tudo aquilo que
não entendemos direito.

Vamos mostrar o rosto
e estampar nossos defeitos
na manchete do jornal.

Vamos dormir com as janelas abertas
e distribuir nosso passado
como um cartão-postal

Acordar ao meio-dia,
de ressaca da rotina
de uma vida normal...

Um copo de uísque e um pouco de paz...

Já não sei as horas!
E nesse momento isso não faz
diferença.

Procuro uma verdade
que se esconde
embaixo da mesa.

E ainda não descobri
o que difere
a loucura
da crença...

Ter toda a razão
ou não ter noção,
o que importa?

Chegou a noite,
feche a janela
e tranque a porta...

Ainda busco um olhar
como o seu,
um copo de uísque
e um pouco de paz...

Você


Olha em volta:
as paredes te sufocam;
o teto gira enquanto
o rádio toca.

Esse ar pesado e a sensação
de desejos destroçados.
Essa imagem no espelho te confunde...
olhos secos apesar das lágrimas,
e uma foto na parede
a lembrar que você viveu.

A janela fechada
pra uma mente sem fronteiras.
Um corpo cansado
e uma alma cheia de barreiras.

O telefone não toca
e a gilete se aproxima dos pulsos:
cacos de vida
de uma vida sem rumo

Todos procuram uma solução:
às vezes elas vêm, às vezes não...

E amanhã terá outra história pra contar...

Rascunho


Meus dias são nublados sem você.
Parece simples e ninguém parece ver,
que quando assenta a poeira dos fatos,
dormentes os sonhos estilhaçam.

O que vai no coração humano
além de dor e sofrimento,
da alegria inconstante
de poucos momentos?

Quem sabe um dia
não haverão mais perguntas.
As frases calarão
no silêncio de uma face muda...

Nesse dia, então, estarei feliz.
Mas até lá guarde meu nome.
guarde um segredo.
Sete chaves, quatro paredes,
e um coração amarrotado...

Conversa a dois

 

Ei! (ele ouviu)
- Você não é mais criança!
 Enfrente os leões,
os dragões
e as decepções.

Levanta! (continuaram lhe dizendo)
- Você tem motivos,
à sua volta sorrisos
e valiosos amigos.

Vai! (ecoou)
- Segue a tua jornada,
porque no fim dessa estrada
há um tesouro escondido.

- Você não pode cair! (a voz ficou mais alta)
E ela, continuou, pausada:
- O mundo te espera.

Mas senhor (ele disse)
Eu já cruzei o rio,
Não há nenhum pote de ouro,
E onde deveria estar o tesouro,
há só um imenso vazio...

As noites

 

Depois de tudo, sempre há
alguém pra me dizer
que tudo vai dar certo
e que o sol vai voltar.

E o sol, esse amigo,
vem, mostra a cara e vai embora.
E, lá vamos nós de novo:
um dia de cada vez.

À noite, quando todos dormem,
eu fico sozinho, como sempre.
E peço desculpas por algo
que eu sei que não fiz.

Quando eu vou embora,
vai comigo meu sorriso.
E tudo o que sinto,
fica dormindo na garganta.

Amanhã é outro dia.
Sempre é...
Durmam sossegados,
escutando canções de ninar.

Mas, pra mim, a melodia é outra:
um réquiem enlouquecedor.
E se os anjos tocam trombetas,
Precisam aprender melhor...

Outro dia


Pra quê andar,
se o caminho não leva
a lugar nenhum?

Pra quê levantar,
se o dia não traz
consolo nenhum?

Pra onde ir,
se o caminho é igual?
Eu já estive lá!

Pra quê fugir,
se no final
sempre vou chorar?

A cada viagem...

Mesmo que houvesse somente um caminho

Onde uma multidão caminha

Prefere andar sozinho

A seguir a mesma trilha.

 

Mesmo que houvesse uma só chance

De dizer ao mundo quem é

Prefere a dor de um romance

A deixar de em si mesmo ter fé.

 

Sabe que sempre demora um tempo

Pra deixar de sentir por dentro

Algo que não identifica

 

Sabe que a paisagem

Que existe em cada viagem

Em sua memória, para sempre fica.
O Seco da Vida

 

O seco por todos os lados,

A sede de saber aonde vai;

O suor escorre pelo rosto,

Um resto de sonho se esvai...

 

O peso do mundo nos ombros,

A força da fé nos seus passos;

Uma vida feita de escombros,

Caminhos errados, fracassos.

 

Mas não sabe o que é desistir!

Sabe que um dia vai sorrir,

E deixar tudo para trás.

 

Sabe que vai encontrar,

Quem pra sempre vai amar,

E que a vida é assim que se faz.

Novidade a caminho...

Finalmente vai sair do micro e passar às páginas meu novo livro: "De um Jeito Blues". Aguardem!

Tipos urbanos I: o ioiô

Começando uma jornada de caracterização de alguns tipos de seres humanos que perambulam pelas ruas das cidades. Certamente você já cruzou, ao menos uma vez, com alguns dos que serão listados aqui.

 

Hoje, em destaque “O ioiô”. Você vai andando na rua, correndo como sempre, tentando entrar no banco antes dele fechar e, no seu caminho, estão 30 pessoas.

 

Você começa a fazer um zigue-zague tremendo, subindo e descendo a calçada, desviando dos motoboys que fazem curvas kamikases e ainda te xingam, se espreme contra as plantas que o restaurante instiste em colocar no meio da calçada. E, quando finalmente, só vê uma pessoa à sua frente, e acha que vai conseguir, você caminha mais rápido. Falta pouco agora!

 

Você está bem atrás dele: o ioiô humano. Lógico que você ainda não sabe disso, mas já já vai saber.

 

Ele pára. Gira 180 graus e fica frente a frente com você. Os dois trombam – porque ninguém espera que alguém que anda na sua frente dê a volta do nada – e ele, não pede desculpas, porque nem viu que você estava ali.

 

Você, controlando a irritação, dá um passo pra esquerda. E ele faz a mesma coisa pra direita. Depois o contrário. São três topadas com o ioiô humano em poucos segundos.

 

Tudo isso para depois você ter que dar um sorriso pequeno, torto e amarelo e ainda dizer algo do tipo: “ôpa!”.

 

Você fica parado. Ele contorna você e segue.

 

E você não tem nem a chance de ficar sabendo de onde ele vinha e para onde ia. Mas, mesmo que você pudesse fazer essa pergunta, ele também não teria a resposta...
Amy Winehouse está morta!

Calma, eu explico!

Mas antes: eu a amo! Amy é fantástica! Existem três  pontos em relação a ela que precisam ser analisados com atenção. Primeiro: sua música. O retrô tem tido uma aceitação cada vez maior nos dias atuais – em todas as áreas – e o tipo de som da menina (só 23 anos!) é muito bom. Transporta-nos para as divas do soul e para lugares enfumaçados e repletos de malícia.

Segundo: as letras. Extremamente sincera, faz uma autobiografia em que sobram angústia, dúvidas, tristeza e lágrimas. Em todas as composições do seu segundo disco “Back to Black”, ela destila uma amargura quase juvenil – de confusão de sentimentos – junto a um cansaço crônico do mundo – em uma demonstração clara da maturidade de quem já viveu muitos bares, fumaças e pianos. E acabou a noite em algum canto com alguém desconhecido, sem lembrar de nada no dia seguinte.

O terceiro ponto é simples: sua atitude. Amy tem um descontrole tipicamente punk, embora cante os sentimentos. Uma atitude punk que nem os próprios punks de Malcolm McLaren entenderam...

Confesso que gosto muito deste tipo de comportamento. Eu sempre quis ser um punk. Quem nunca quis ser um ramone?

A jovem inglesa (viva a Rainha! O bom da música sempre vem de lá!) cancela shows pouco antes do espetáculo, não vai receber os prêmios que ganha, é flagrada sem um dente após uma queda em um porre homérico. Jura que não vai se internar para reabilitação. Muda de idéia e resolve ir sozinha. Cria tumulto na clínica e sai 48 horas depois. E muito, mas muito mais!

Não acho isso bonito não. Mas acho muito legal apertar a tecla do “foda-se” e levar a vida sem ter que dar satisfações a ninguém a não ser a si mesmo. Aliás, o único punk que eu conheço – e que nunca foi “rotulado” como punk, é o velho e bom Keith Richards.

Pois a menina é Keith de vestido!

E eu a amo!

Agora a explicação sobre o título deste texto: existem duas opções para Winehouse (ops! Casa do vinho?). Ou vai – como ela mesmo previu – morrer em breve, devido aos seus excessos e misturas de drogas, ou irá se recuperar de seus vícios e ser uma pessoa “normal”.

Nesta segunda hipótese ela também estará morta. Porque, definitivamente, Amy não nasceu para ser uma santa. Pode ser que ela venha a cantar pop ou qualquer outra coisa que a gravadora achar que está na moda. Daquelas coisas que tocam na rádio.

Bom... se isso acontecer, ao mesmo para mim, ela estará morta...

Quando os mocinhos perdem

Eu adoro cinema! Os universos mágicos que são criados em alguns filmes conseguem transportar-nos para dentro das telas e, involuntariamente, nos tornamo-nos personagens, interagindo com os todos os protagonistas.

 

Um dos fatores que mais me atrai nessa fantástica arte é o roteiro. Criar histórias - sejam comédias, dramas, ficção ou terror - atraentes e inovadoras não é nada fácil. Por isso admiro e respeito roteiristas que conseguem trazer-nos coisas como “Matrix” ou “A Vida de David Gale”.

 

Outro gênero que sempre me prendeu em frente da TV é o faroeste - o famoso “bang-bang”. John Wayne e seus comparsas, andando com suas botas sujas pela via principal da cidade, em frente ao saloon, as carruagens passando e levantando poeira, a expressão dos mocinhos quando em duelo com os bandidos... porque, claro, haviam os foras-da-lei. Aqueles temidos e odiados, mas que todos respeitavam ou tinham medo.

 

Aliás, quase a mesma coisa que acontece com Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada”.

 

Os mocinhos sempre precisam ter a quem enfrentar. E geralmente ganham. O problema, mesmo, é quando eles perdem...

 

Neste filme dramático que está sendo rodado no Brasil, os mocinhos estão perdendo, e de goleada.

 

Eles têm todas as características tradicionais: são corretos, pagam seus impostos, auxiliam os outros em campanhas beneficentes, devolvem o troco errado, torcem pela Seleção Brasileira e trabalham, acreditando mesmo em construir um futuro melhor para o seu país.

 

No entanto, o outro lado continua com pleno poder, mandando e desmandando no país, a seu bel prazer.

 

E nós vamos esperando que o roteiro mude e possamos ter mais cenas nossas neste filme...

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